“Separação compulsória de mulheres/mães e filhas(os) em situação de vulnerabilidade social” foi tema de evento no CRP-MG

Ciclo de eventos Psicologia em Foco retornou com temática dedicada às mulheres

O Conselho Regional de Psicologia – Minas Gerais (CRP-MG) retomou o ciclo de eventos Psicologia em Foco, nesta quarta-feira (13). A proposição do encontro se concentrou na separação de mães e filhas(os) em situação de vulnerabilidade social. Para compor a mesa estiveram presentes a advogada e orientadora da Clínica de Direitos Humanos da UFMG, Amanda Drummond; a psicóloga, doutora e mestra em Psicologia, Cássia Rosato; o educador social e redutor de danos graduado em História, Myro Rolim. Mediou o debate a psicóloga, mulher negra, feminista e membro da Comissão de Mulheres e Questões de Gênero do CRP-MG, Jeanyce Araújo. Clique aqui para ver as fotos.

Ao iniciar o evento, Amanda Drummond explicou que desde 2016, a Clínica de Direitos Humanos da UFMG trabalha com casos de acolhimento institucional de recém-nascidos, no afastamento familiar e no encaminhamento para família substituta. Segundo ela, geralmente a criança é acolhida pouco depois do nascimento, quando a mãe ainda não teve a chance de convívio. As decisões são baseadas no histórico dessas mulheres de uso de drogas, de violência doméstica, de ausência de pré-natal e quando estão/estiveram em situação de rua.

“O que vemos na prática, como advogados, mas também enquanto ativistas, é um acolhimento liminar, preventivo, de bebês. Um acolhimento sem escuta. Nos processos judiciais, as partes têm direito de serem ouvidas e de se manifestarem sobre aquele assunto. Numa decisão liminar elas não são ouvidas e o processo é concluído o mais rápido possível” ressaltou a advogada, questionando o público se há a possibilidade de proceder uma liminar sem que haja discriminação.

Invisibilidade – Cássia Rosato fez a apresentação a partir de sua tese de doutorado “A vida das mulheres infames: genealogia da moral de mulheres, usuárias de drogas e/ou em situação de rua, e seus bebês”, que aborda o acolhimento institucional de bebês, dentre outros obstáculos enfrentados pelas mães. A doutora destacou a invisibilidade dada a essas mulheres e a relação com o que Focault nomeou de controle dos corpos: “De alguma maneira o estado controla os corpos dessas mulheres porque tem interesse nos bebês. Mas na vida das mulheres não”, completou.

Não há um fato concreto que justifique o acolhimento, segundo Rosato. As mães são avaliadas previamente e caso haja algum uso pretérito de álcool, maconha, crack e/ou outras drogas, isso significará a adoção de uma mesma conduta, independente do histórico individual.

“Essas mulheres precisam ser acessadas e escutadas e esses casos acompanhados de perto pela categoria, porque parece que há uma certa blindagem. Não se chega até elas. Esses casos não vêm a luz e por isso eu nomeei minha tese de Vidas Infames”, realçou.

Para incentivar a conversa com o público, o convidado Myro Rolim trouxe à tona o tema redução de danos. Ele destacou que deve ter uma perspectiva integral do sujeito, abordando questões de raça, gênero e classe, seguindo uma métrica estrutural e política da situação. “Sempre batalhamos e lutamos pela permanência das crianças com as mães, e isso é uma forma de fortalecimento e cuidado para elas”, finalizou.

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