Manifesto Sobre o Maltrato da Região Amazônica - ULAPSI

A região amazônica e parte do Pantanal vivem um incêndio gigantesco que já chegou à tríplice fronteira de Brasil, Paraguai e Bolívia, varrendo 20.000 hectares de vegetação, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O mundo todo se mobiliza em manifestações para a preservação da região Amazônica e dos povos tradicionais, principalmente indígenas que lá vivem. Em agosto deste ano, aconteceu a Primeira Marcha de Mulheres Indígenas, que se juntou à Marcha das Margaridas, em Brasília, enfatizando o cuidado necessário com o mundo a partir do lema “o território é nosso corpo e nossa alma”. Esta atividade, que congregou várias representações da América Latina, mostra o potencial de resistência histórica que temos, juntamente com tantos outros movimentos sociais e ambientalistas e que, agora, com o incêndio da região amazônica e pantaneira, faz eco em todo o mundo.

Especialistas informam que ainda é cedo para afirmar se este incêndio é o maior em termos proporcionais, no entanto, enfatizamos a necessidade de o governo brasileiro assumir o compromisso necessário com as políticas ambientais que se mostrem protetivas ao meio ambiente, aos nossos corpos, às nossas vidas. Importante lembrar que, para além de ser um fenômeno natural nesta época do ano, por causa das condições meteorológicas, os incêndios são de responsabilidade humana visto que muitos fazendeiros utilizam o fogo para manter seus cultivos ou para limpar a terra para pastos ou outros fins. Tal fato é comprovado pela observação de que os principais focos de incêndio se dão nas beiradas da floresta tropical. O cenário do capitalismo exploratório se impõe como um impeditivo de vida próspera.

Cumpre notar que a crise que envolve as queimadas na floresta amazônica assume especial gravidade na medida em que faz emergir condutas de caráter neocolonialista por parte dos países centrais do capitalismo ocidental. A despeito disso, não se pode negar que o atual chefe do poder executivo brasileiro tem marcado a sua administração pela submissão aos interesses do grande capital global e à desregrada entrega ou submissão dos interesses e das riquezas nacionais brasileiras tanto de países quanto de corporações estrangeiras. Nesse sentido nota-se que as tensões e os conflitos que ora incluem a Amazônia apresentam um duplo desafio aos brasileiros e demais povos latino-americanos, que é enfrentar tanto a subordinação voluntária do atual governo do Brasil aos interesses externos quanto os avanços de países de fora da América Latina em relação às pautas que dizem respeito aos povos e Estados locais.

A União Latino-americana de Entidades de Psicologia se manifesta com preocupação diante deste cenário e reforça a necessidade dos compromissos diante deste descaso com o meio ambiente acreditando que seja preservada também a soberania do estado brasileiro na gestão dos processos de cuidado com o território amazônico e nossa gente.

ULAPSI

Setembro 2019

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