Roda de conversa sobre Saúde Mental movimenta Subsede do CRP-RJ na Baixada

No dia 24 de maio, a Comissão Gestora do CRP-RJ na Baixada organizou no auditório da Subsede em Nova Iguaçu, uma roda de conversa em celebração ao mês da Luta Antimanicomial com tema “Saúde Mental em tempos de retrocesso”.

A proposta da roda foi discutir a Saúde Mental a partir da horizontalidade dos saberes e contou com a mediação da psicóloga Vera Lúcia Lima (CRP 05/51313), especialista em pesquisa clínica pela Fiocruz/HAOC PROADI SUS, psicóloga do CAPS III Dr. Jair Nogueira, idealizadora e membro do movimento de Psicólogos da Baixada Fluminense, participante do Fórum do Campo Lacaniano e membro do Ocupa Baixada.

Abrindo o evento, Mônica Valéria Affonso Sampaio (CRP 05/44523), conselheira-coordenadora da Comissão Gestora, mencionou o posicionamento do CRP-RJ mediante o tratamento de usuários de Saúde Mental. “O CRP-RJ tem como bandeira o cuidado em liberdade. Por isso, lutamos por nenhum retrocesso, por nenhum passo atrás”, afirmou.

Em seguida, Fernanda Silva de Almeida Sousa, assistente social no CAPS AD Vanderlei Marins Nova Iguaçu, comentou sobre a importância da “horizontalidade de saberes dentro da prática no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). “É ótimo ter essa troca de saberes, pois nenhum saber sobrepõe o outro, eles se completam e, assim, conseguimos desenvolver um trabalho coletivo no cuidado ao usuário”, destacou.

A assistente social abordou a dimensão dos direitos que, nos atuais tempos de retrocessos, acabam sendo precarizados, o que dificulta o trabalho na Saúde Mental. “Lidamos diretamente com os direitos dessas pessoas e, nessa época de retrocesso, a perda desses direitos é algo que está latente. Um exemplo disso é o Benefício de Prestação Continuada, que sofreu mudanças e afeta diretamente nosso trabalho na rede”, disse.

Finalizando a sua fala, Fernanda Sousa alertou para a importância da escuta no tratamento dos usuários. “Como a Psicologia, o nosso principal instrumento de trabalho é a escuta. Se não tivermos uma boa escuta, não teremos uma boa ação, porque só através da escuta que conseguimos fazer uma intervenção”, encerrou ela.

Seguindo com a roda, Severina Maria Silva de Oliveira, terapeuta ocupacional com especialização em Saúde Mental e coordenadora de residência terapêutica em Nova Iguaçu, citou a Lei nº 10.216 que, segundo ela, garante a “desinstitucionalização das pessoas que ficaram internadas a vida inteira”. Ela também abordou os recentes retrocessos no campo da Saúde Mental.

“Saiu uma portaria do governo federal incentivando as Comunidades Terapêuticas. Temos que lutar contra o retrocesso, porque o que eles querem nesse momento é exatamente isso. Se a lei 10.216 é para diminuir o numero de leitos, o numero de hospitais, saiu uma portaria que contraria essa lei, incentivando a ampliação desses leitos em hospitais psiquiátricos”, criticou.

Encerrando as falas dos palestrantes convidados, João Muller Souza Maia, enfermeiro, coordenador do CAPS 2 Dircinha Batista em Guadalupe e professor da disciplina de Saúde Mental da Estácio de Nova Iguaçu, falou sobre a importância de quebrar o olhar preconceituoso para o usuário de Saúde Mental.

“Como é difícil trabalhar nessa área com esse olhar, porque mesmo com todo o trabalho desenvolvido dentro de um CAPS, é comum ter um olhar para aquela pessoa como se ela fosse apenas seu transtorno mental, não um sujeito que também pode ter dor de dente, problemas cardíacos”, problematizou.

João Maia apontou também sua preocupação com o retrocesso que estamos vivendo. “Eu nunca imaginei que viveríamos isso. Parece um pesadelo. Eu fico preocupado, com muito medo de os CAPS deixarem de existir, e isso é uma possibilidade muito próxima”, revelou.

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